E lá estava ela, mais uma vez, nesta mesma semana, pensando,
naquele canto escuro do quarto: “Como eles podem amar uma pessoa que só faz
mal, não só a mim, e também a outras pessoas?”.
Ela não se conformava com o mimo que ele recebia. Todos a
sua volta falava que era ciúmes, no fundo até podia ser, mas na verdade era
ódio, puro ódio da pessoa que ela teve que chamar durante 18 anos de “irmão”.
“Como? Será que ninguém vê que isso está me destruindo?” Ela
pensava, enquanto caia uma lagrima de seus olhos castanhos escuros. “Não da
para entender, parece que tudo anda em volta dele, e ninguém vê o monstro que
ele é!” Larissa, passava a mão por seu rosto branco, que nem a lua que refletia
da grande janela de seu quarto. Ela não conseguia parar de pensar em tudo que
aquele homem a fez há 10 anos, e ainda era muito queridinho, paparicado como se
não tivesse estragado com sua vida. Mais lagrimas caiam de seus olhos já vermelhos
de tanto chorar, ou será que era de raiva? Ela passava a mão por seus cabelos
negros e os puxava com toda a força que tinha. Mas não iria machucar, não ia
doer? Não tanto quanto estava doendo seu coração...
...E mais uma vez, Larissa pensava em se jogar de sua
sacada, no quinto andar. Mas algo a impedia de fazer isso. No meio da
escuridão, ela chegava a ver a sua amada, falando para ela desistir dessa ideia.
Larissa abria um lindo sorriso no meio da escuridão, e ia em direção ao corpo
forte de Kiara cheia de lagrimas nos olhos, mas quando chegava perto, Larissa
percebia que era só sua saudade de sua linda amada.
Angustiada, com o corpo e a mente cansada, Larissa,
vai até seu criado mudo e pega seu calmante, o toma a seco, deita em sua cama e
fecha os olhos tentando dormir, pensando só nela, no seu único amor: Kiara.
